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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Olá! Como Posso te Ajudar?

Desde que me entendo por gente, sempre fui aquele ser humano das ideias mirabolantes. Podiam ser ideias para achar soluções para algo simples até as mais complexas questões filosóficas da vida. O lance sempre foi ter ideias e o mais importante, executá-las. Nunca percebi que isso era uma expertise, um dom. Para mim ter ideias, pensar formas criativas de executar qualquer coisa e, achar soluções sempre foi algo tão natural para mim que não via como algo que poderia ensinar a alguém, afinal pensava “todo mundo tem isso, não é?”.


O fato é que ao contrário do que pensava, muita gente tem dificuldade em ter ideias novas ou criativas, ou ao contrário, não ter aquele ímpeto de botar a mão na massa. Eu vejo muita gente com tanto potencial desperdiçando seus talentos pelas mais diversas questões. Autossabotagem, não acreditar que vai dar certo, autoestima baixa, não ter aprovação dos outros, falta de fé ou puramente preguiça. Eu fico simplesmente desesperada quando me deparo com situações assim, quero logo chegar e falar “ei, tira a bunda da cadeira e bora fazer acontecer!!”.

Tá bom, não vou mentir. Eu também já me sabotei com relação aos meus talentos. Na verdade, me encontro neste exato momento em que estou colocando para acontecer o que deveria estar fazendo, na verdade continuando a fazer na vida, que é a escrita. A vida inteira, mesmo, desde que aprendi a escrever, eu criei histórias e mais histórias. E que não ficavam somente presas a contos, mas faziam parte de brincadeiras, peças de teatro, curta-metragens, poesias.... Onde tinha um lugar para me expressar criativamente através de histórias, lá estava eu. Em praticamente tudo que fiz, seja vida profissional ou pessoal, este meu lado criativo-contador-de-histórias estava presente. Isso ficou muito claro quando este ano uma amiga me apresentou um teste para descobrir o que me faz brilhar na vida e porque estava me sabotando neste processo de colocar para o mundo o meu verdadeiro eu. Profundíssimo!!! Este teste mudou a minha vida e continua a mudar. Me dando tapas e mais tapas a cada santo dia. Pesado, mas necessário.

Então, eu acredito, quer dizer, tenho certeza, que todos, mas todos nós temos talentos, expertises, habilidades, brilhantismo para expor mundo afora. Reconhecer isso dentro de nós é o mais difícil. Bancar isso para si então, ui complicado. Mas vou te dizer, libertador. Não sei como posso ensinar isso 100% a alguém, mas com certeza só o fato de compartilhar um pouquinho a minha experiência pode ser uma forma de ajudar. Mas se precisar de um empurrão estamos aí, é só chamar!

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Que Dilema?

Quando comecei a escutar todo o burburinho sobre o documentário “Dilemas da Rede” (Social Dilema) e de repente vi amigos dando adeus a redes sociais como Instagram e justificando sua saída por conta do que foi exposto no filme, resolvi assisti-lo também. Já tinha visto que o documentário tinha entrado na Netflix e mais ou menos me chamou a atenção, porém tinha ficado apenas como um ticado para a minha lista de futuros. Explico os porquês.

Tem um troço que tenho certo pavor. Teoria da conspiração. Morando aqui nos EUA sei que a maioria dos americanos acreditam nas mais diversas teorias da conspiração. Variadas pesquisas já mostraram números que dizem por exemplo, 1/3 da população americana acredita em alguma teoria doida sobre o Coronavírus. Já vi pesquisas dizendo que mais de 70% dos americanos acredita em alguma teoria que vai desde que o homem não pisou na lua, Elvis não morreu ou que a Terra é plana. Ui! Esse lance de teoria me irrita tanto, mas tanto que tudo que soa à conspiração eu não quero nem ver ou ouvir. Dá coceira!



A segunda barreira de não querer assistir o “Dilemas da Rede” foi com relação às próprias redes sociais. Essa pessoa que vos escreve começou nas redes sociais nos tempos de Orkut. Não passei pelo MySpace e não tive muito contato com Flickr ou Twitter, apesar de que flertei por essas bandas rapidamente. Desde o começo do meu contato com as redes sociais, sempre achei fascinante uma coisa: o poder da comunicação e como poder se expressar de alguma forma para várias pessoas de maneira mais aberta, diferente do e-mail.

Essa paixão, se posso descrever assim, por essas plataformas foi crescendo e acabei abrindo uma agência de conteúdo online nos primórdios do Facebook, quando marcas começaram a usar a rede social para promover seus produtos e serviços, mesmo ainda sem a existência das páginas profissionais na plataforma. Explorar essas ferramentas e o que elas podiam nos dar de volta com relação à estrutura sempre foi fascinante. E a cada ano, ou até mesmo a cada mês, elas se atualizavam, inventam novos recursos. Quando o Facebook ficava meio lento e surgiam alguns bugs eu já dizia para a minha equipe “lá vem mudança do Mark”.

Quando falo assim, de forma tão poética e nostálgica, não estou sendo inocente com relação às redes sociais e seu lado comercial. Não mesmo! Sei que para uma plataforma sobreviver como um produto, é necessário dinheiro. Óbvio! Mas penso também que um pequeno negócio que não tem rios de orçamento para investir em um site ou plataformas de CRM etc., pode abrir uma conta no Instagram para vender seus produtos. Isso inclui. Um jovem morador de favela pode ter um espaço para vociferar o que está acontecendo dentro da sua comunidade e criar seu próprio meio de comunicação. Isso inclui. Você pode criar um movimento que começa local e ganha proporções globais, ajudando outras pessoas. Isso inclui.

Então, o que me incomodava – isso antes de assistir o documentário – era pensar nessa martirização das redes sociais como sendo apenas um celeiro de inveja, competividade, depressão, ansiedade, brigas e rachas. Incluindo neste bolo uma manipulação da sua mente, um impulsionamento exagerado do consumo, a criação de bolhas de um só pensamento. Claro que tudo isso existe sim dentro das redes sociais. E existe um processo que culmina no “compre meu produto mesmo você não precisando”. Negar isso tudo é inocência, de fato! Mas o documentário que entrevista vários personagens-chave no processo de criação de tecnologias viciantes exagera neste lado sombrio.

Concordo que o uso de redes sociais por crianças e pré-adolescentes não é legal. O mesmo que muita TV e telas no geral. Concordo que o mundo fantástico de todos aparentando serem felizes o tempo todo, que o uso de filtros para afinar o rosto, melhorar a pele e tirar olheiras é too much e pode gerar sentimentos de inferioridade e inadequação. Que a manipulação de imagens e criação de fake news é um problemão. Concordo que deve ter um melhor monitoramento e leis que ajudem a reduzir essas questões e que tudo isso seja debatido. Mas isso revela como somos como sociedade. O nosso lado sombrio da força. E cá entre nós, sempre tivemos um pé lá e um pé cá. “Onde vamos parar?” muitos dizem. Não acredito que estamos piorando. Volte para a Idade Média e veja o quanto evoluímos como sociedade. Tudo bem, não precisa ir tão longe. Volte aos anos 1950 e veja como evoluímos.

Não vejo as redes sociais como apenas ferramentas demoníacas ávidas a nos fazerem escravos e meras mercadorias de troca. Não mesmo. Pode ser um lado meio Pollyanna meu? Pode ser. Mas acredito que essas avaliações sobre as redes sociais deveriam nos fazer refletir mais sobre as nossas conquistas como sociedade e aí sim, avaliar o que podemos fazer para melhorar ainda mais, combater o que está em desequilíbrio e sim, viver mais a vida no modo geral, fora da tela e também porque não, postar vídeos de gatos fofos, compartilhar aquela torta maravilhosa que você comeu ou uma selfie linda que só você consegue tirar do seu melhor ângulo. Isso tudo junto e misturado, sem dilemas. Curtiu?

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Habitando o Presente

Quando a minha mentora de ideias, expressões artísticas e afins, Daniela Avellar, me pediu para escrever sobre habitar o presente, o primeiro estalo que me deu foi em decifrar e ir mais a fundo no assunto e assim recorrer à etimologia das duas palavras. Sim, sou dessas de querer escavacar as informações. Um lado de detetive que sempre me acompanha.

Habitar vem do latim habitare e significa “viver em, morar”, relacionado a habere, “possuir, ter, manter”. E no dicionário habitar é ter a sua residência em, ou seja, morar, viver. E o mais curioso: estar presente em.
presente vem do latim praesentia, que significa alguma coisa que está perto, ao alcance de alguém. Em termos gramaticais, o presente é um tempo verbal que indica que a ação acontece no momento em que se fala.
Habitar o presente ou simplesmente estar presente no momento. Que tarefa árdua nesta realidade digital e rápida em que vivemos. Como possuir o presente por inteiro, 100% se temos à nossa disposição um milhão e quinhentos mil informações para consumirmos todas ao mesmo tempo?


Alguns anos atrás durante um curso na School of Metaphysics aqui em Indianapolis, tínhamos que cumprir duas tarefas para ajudar a nos concentramos em apenas um ato a cada momento. Justamente o ato de habitar o presente. Eram elas: lavar a louça e prestar atenção no barulho da água, nas cores da espuma do detergente, da gordura difícil de sair da panela. Isso sem música, sem conversa paralela ou sem pensar no que fará em seguida. A concentração é total na tarefa.
O outro exercício, esse na minha opinião extremamente difícil, é acender uma vela e se concentrar na sua chama por no mínimo 5 minutos. Mesmo esquema: Isso sem música, sem conversa paralela ou sem pensar no que fará em seguida. A concentração é na chama, na cor, no barulho que estala da vela.
Sim, muito, muito difícil.
Se você habita o presente em que vivemos com as tais um milhão e quinhentos mil distrações disponíveis essas duas simples tarefas são um desespero. Posso escutar uma musiquinha no fundo? Não! Ah um podcastzinho zen? Nem pensar!
O intuito é justamente trazer a mente para o momento presente. Segundo filosofias orientais, quando a nossa mente está no futuro ficamos ansiosos. Não é de se espantar o alto índice de ansiedade em que o mundo está vivenciando. A mente entra no estágio acelerado de possíveis acontecimentos futuros, medo do tal do “e se”.
No livro “The Power of Now” (O Poder do Agora) do autor Eckhart Tolle diz que “... a condição psicológica do medo está divorciada de qualquer perigo imediato concreto e verdadeiro. Ele vem de várias formas: desconforto, preocupação, ansiedade, nervosismo, tensão, pavor, fobia e assim por diante. Esse tipo de medo psicológico é sempre algo que pode acontecer, não algo que está acontecendo agora.”. E assim a nossa mente fica lá, no daqui a 10 minutos, 1 ano, 5 anos..., mas e o presente? Não temos tempo para habitá-lo ou não criamos tempo para habitá-lo.
Nestes exercícios propostos pelo curso, o intuito era justamente isso. Criar o seu tempo de habitar o presente. E isso basicamente significa fazer uma coisa só a cada momento. Ou melhor, focar a sua atenção para uma tarefa a cada momento. Sendo uma pessoa multitarefa como eu, habitar o presente é sim trabalhoso, mas vou te dizer que é possível. E dá-lhe olhar para a chama da vela.